quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Paisagens sonoras

Deito-me na relva suja sucessivamente beijada pelo sol
É de dia de novo e os outros dias começam a desaparecer agora que me lembro deste nascimento forçado
Reconheço-me longínquo no espelho
Apreendo tudo pela segunda vez
Ou será terceira?
Está tudo escuro

Nova fase da lua, transformação do planeta...
Quero converter a lua em queijo, ela será o meu banquete...

De onde vêm estes pensamentos?
Não param...
Movem-se pelo chão de cristal axadrezado, escondem o êxtase devagar
Formam uma dança sensual apoteótica
Sem cara
Arrastando um manto fulcral
Degradando um anjo
Sorrível anjo cuspindo feitiços inaudíveis num dialecto próximo
Uma voz. Uma voz incessante que não posso bloquear. Que não quero controlar
Suspira-me ao pescoço letras que se concretizam, que é isto?
Serei um super-herói ofuscado por poderes que nunca tive?
Opto por não me afogar nessas conspirações, não me parecem certas, tenho que renegá-las
Entro simplesmente em vulgares traços e formulo o que se esconde nos restantes escombros da minha agora enevoada mente
Não será má ideia espreitar os jardins devastados das minhas recordações

Para já memorizo os pássaros que não sabem calcular as distâncias entre os voos
Entoo os refrões de músicas sem versos
Procuro o que sinto que não existe
Não existe
Não existe
Não...
Existo...

Que sítio invulgar

Onde estou?
Parado entre espaço e tempo ?
Ou apenas por aí...
Em paisagens sonoras?

2 comentários:

O Raposo, the foxman disse...

Tens a voracidade de um titã, mas a vivência de um qualquer ser sujeito à lei da gravidade.

Flávio Neto disse...

O mundo é um sitio invulgar, de sabores inauditos, de cheiro estranho qual requeijão ao sol, de paisagem sonoros que mais fazem lembrar uma sinfonia tocada por obsessivo compulsivos...
Well, i love it!
Keep it up!