terça-feira, 27 de novembro de 2007

Estátuas

O mundo é a minha tela de recordações.
O entusiasmo não é permitido a alargar-se fora do corpo.
Quase absolutamente nada para me derrubar mas o efeito da novidade fugiu.
E não é só isso que procuro. Quero a primeira dose constantemente.
Não sei se a controlo. Surge.
Qualquer movimento existe a mais. Sorrir é dispendioso, gestos esgotam-se.
Quando estão calados são mais interessantes. Posso inventar-lhes diálogo.
Escrevo por pouco, apetece-me repousar indefinidamente nos sonhos de outra pessoa qualquer.
Que ânimo quando mexem a boca. Parece que estão a descobrir algo superior.
Caras difamadas horríveis. Caras razoavelmente normais. Caras atraentes. Para que servem?
Preciso mesmo de me afundar. Hoje nem vou tentar formular nada que tenho regularmente.
A minha voz não respira.
Quero mais que cruel observação. Dirijam-se a mim. Convidem-me. Tornem-me vosso.
Quero manter uma solução que não se pode perder. O máximo tudo sempre.
Deixar de lado uma Cinderela chata que com frio se repete.
Jantares, cafés, pessoas, conferências. Não estamos na Universidade. Parem de falar dela.
O silêncio pertence-me bem neste momento de pré-ilusão.
Quero ver como alguém decide o amanhã.
Espero não ver tantas estátuas previsíveis.
Espero não ser uma.

5 comentários:

Flávio Neto disse...

Queres então fazer cocegas com pelos de unicórnio nas caras hirtas dos que vivem não vivendo...?
Ou terei percebido mal, as vezes deixo de te ouvir :)

Bea. disse...

Isto é tão tipicamente "Gustavo" :P
Gostei :)

O Raposo, the Foxman disse...

E no dia seguinte, continuas com olhar de mármore vidrado no granito de outras pessoas.

Digo eu...

Anjo Cadáver disse...

A satisfação faz de nós vitrios e totalmente petrificados numa totalitariedade de sentidos que se percepcionam em pensamentos bronzeos e comlexos na inconsatancia da vida

Bravo...

Anjo Cadaver disse...

A insatisfação das coisas faz-nos vitrios perante a intemperança das circunstancias, porque a sensibilidade prega-nos a um mundo que secamente nos transforma

Bravo...