quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Hipérboles Imaginadas

Deusas com espadas exageradas
Zombies em poses acorrentadas
Partes de repressão simulada
Desejos de simulação alterada

Um grito ecoa
No escuro das árvores
Nos lábios da noite
Na planície perfumada

E em olhos verdes
Pela água petrificada
Brilha um canto atravessado
Apenas delicioso

"O Verão acabou
O Verão acabou
Puramente estático
O Verão acabou"

3 comentários:

O Raposo, the foxman disse...

O verão são as pessoas que o fazem quando ardem por dentro em combustão expontânea de sentimentos.

Flávio Neto disse...

"Well, i'm here
the summer is gone
i hear"

ou

"It's a cold december,
i lick my wounds as ever"

Escolhe a tua música, o teu caminho...

linfoma_a-escrota disse...

INEVITÁVEL

O Verão cria sombras de nostalgia
embebida pela cítara
em mangas de camisa,
daqueles tempos em que era tudo a brincar.
As épocas que passam subtis,
mal delimeadas,
sem motivo de maior,
numa suave liberdade perdida
à deriva...
O prazer de fazer algo pela primeira vez
não embrutecido pela rotina da vida.
A certa altura
não passa duma reposição melancólica
do que foi a nossa juventude,
daqueles últimos dias de aulas
telefonava-se aos amigos e
estávamos vivos;
explorando as ruas da cidade,
esquecendo a saudade,
conversava-se vagamente
sobre o que nunca interessou.
Como antigamente,
como enxames de vespas aprendendo a dançar
sugando o sangue do dia até ao auge,
sem limites.
Nunca se tinha razão (tão novo)
e era tão bom (desde que o espírito não desfaleça)
foram os melhores tempos,
partilhando as primeiras cervejas
imaginámos
um futuro que não era suposto chegar,
perdeu-se a benção da ignorância.
Sofres agora as consequências
do que deixaste andar.
Os pais deixaram de se preocupar,
sentes um estúpido desejo de os beijar,
os galos ficaram roucos de cantar,
já não se sentem obrigados a acordar;
já ninguém te arranca
do inviolável tecido dos lençóis
gritando que estás atrasado,
nem te examina os olhos
refutando que estás drogado.
Nunca mais
pudeste gozar com a cara aborrecida
dos teus amigos de turma
que já nem reconhecerias,
(com quem muito viveste
o quê? Não te lembras
mas sabes que fez sentido).
A adrenalina de quebrar as regras,
as escolhas impostas,
as experiências que nos ensinaram a recuperar,
a ver o óbvio de outro modo,
no conforto do hábito do contrabaixo do tempo
pessoas que se perderam,
oportunidades que morreram,
sempre os remorsos que pressistem e
mais uns quantos anos que passam.
Nada a fazer,
como aproveitar?
Mais tarde serás tu a reprimir novos escândalos
naquela íris da expectativa
inculcando que não se é optimista
para sempre.
As memórias prevalecem,
acordadas ou em coma,
reconhecendo o passado,
chorando o futuro,
sabendo do inevitável negro percorrer das Primaveras,
suspirando tantos translúcidos sorrisos do que não voltará a ser
porque adormeceste
ou viajaste pelo mundo até perderes o folêgo.

2002
in s&m (sem-nome & mal-dito)




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